Enfrentando o problema: depressão
- Sthefane Catib Ferrarese
- há 2 dias
- 3 min de leitura

Diversos tratamentos para a depressão vêm sendo desenvolvidos, e um dos mais eficazes é a Ativação Comportamental. Nesse tipo de abordagem, você e seu terapeuta trabalham juntos para quebrar o ciclo da depressão por meio do engajamento em atividades que podem melhorar seu humor e sua produtividade.
No entanto, não se trata de realizar qualquer atividade de forma aleatória. O terapeuta ajudará você a identificar e compreender as circunstâncias relacionadas à sua depressão: atividades que você deixou de fazer desde que começou a se sentir deprimido, comportamentos de evitação e situações que gostaria de modificar para viver uma vida mais satisfatória.
A partir disso, vocês irão, em conjunto, definir objetivos específicos e planejar atividades que o ajudem a enfrentar a depressão. É importante entender que não é possível mudar as circunstâncias da vida sem, antes, interromper o ciclo de inatividade e evitação. A ativação guiada é uma forma eficaz de quebrar esse ciclo.
Atividade não significa apenas “fazer por fazer”. Quando alguém está deprimido, até tarefas simples podem parecer extremamente difíceis. Por isso, o terapeuta atua como um guia nesse processo. As atividades escolhidas devem ter significado para você.
Por exemplo, alguém pode valorizar viver em um ambiente limpo, mas sentir-se incapaz de lavar a louça devido à depressão. Ao realizar essa tarefa, mesmo ainda se sentindo triste, essa pessoa experimenta um ganho concreto — um ambiente mais organizado — o que contribui para uma melhora gradual. Da mesma forma, desenvolver assertividade em um ambiente de trabalho difícil pode ser uma atividade relevante.
As atividades na Ativação Comportamental são variadas e individualizadas. O objetivo é encontrar ações que ajudem a reduzir os sintomas depressivos e aumentar a sensação de controle sobre a própria vida.
As vantagens de se tornar mais ativo, mesmo diante da depressão, são claras.
Atividades guiadas podem melhorar o humor e aumentar o senso de controle. Mesmo que inicialmente você não sinta prazer, é possível que, ao persistir, comece a perceber satisfação ou, pelo menos, um senso de realização.
Além disso, essas atividades ajudam a quebrar o ciclo da fadiga. Muitas pessoas deprimidas se sentem constantemente cansadas e, como forma de evitar o mundo, acabam se isolando ainda mais. Paradoxalmente, permanecer na inatividade — como ficar mais tempo na cama — tende a aumentar o cansaço.
Mesmo quando você se sente exausto, o engajamento em atividades pode gerar uma sensação de energia e renovação. Por exemplo, realizar tarefas domésticas pode trazer um sentimento de realização e disposição para outras atividades. Diferentemente do cansaço físico comum, na depressão, a inatividade costuma perpetuar o esgotamento.
As atividades guiadas também ajudam na motivação. Muitas pessoas acreditam que precisam “sentir vontade” para agir, mas na depressão isso raramente acontece. Na prática, o movimento vem antes da motivação — é o engajamento que gera a vontade, e não o contrário. Esse processo é conhecido como “de fora para dentro”.
Engajar-se em atividades durante a depressão não é fácil. Pode ser difícil organizar o tempo e iniciar tarefas, até mesmo as mais simples. O terapeuta ajudará a identificar barreiras e a encontrar estratégias para superá-las.
Ao longo do tratamento, você aprenderá a observar sua rotina, identificar padrões entre atividades e emoções e aumentar gradualmente comportamentos que promovem bem-estar. Ferramentas como registros diários e planejamento de atividades ajudam nesse processo.
Além disso, novas atividades podem ser incorporadas à rotina, tornando-se hábitos que melhoram a qualidade de vida. O terapeuta atuará como guia, ajudando no uso de estratégias como agenda de atividades e planejamento semanal.
Você será incentivado a dar continuidade ao trabalho entre as sessões, aplicando o que foi discutido na terapia. Juntos, você e seu terapeuta definirão as atividades que farão parte desse processo.
Ao final, você perceberá que se tornar mais ativo é uma forma eficaz de enfrentar a depressão e retomar o controle da própria vida. Dar o primeiro passo — buscar ajuda e iniciar o processo terapêutico — já é, por si só, uma forma de ativação. Os próximos passos tendem a se tornar cada vez mais acessíveis.
Adaptado de Martell et al. (2001).
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